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Desde há anos que
se dizia que Mestre Carlos Reis cogitava fazer ao lado do seu atelier, na encosta
sobranceira à vila, junto da estrada que leva à Senhora da Piedade, a Alfocheira e à
Serra, uma casa linda, bem portuguesa, bem da Lousã. Com evangélica
paciência e cuidados de devotado cultor da beleza, o grande artista rebuscava pelos
velhos recantos desta velha Lousã, pelas ruínas dos solares e pátios de casas de
morgados ricos, tudo o que lhe parecia aproveitável cantarias de portadas, grades
de varandas, azulejos de escadarias, velhas portas almofadadas de castanho. E tudo ia
guardando, bem seguro de que tudo isso daria subtis encantos à sua nova casa da
Lagartixa
tons da ternura que as belas coisas velhas irradiam, inconfundíveis traços de elegância
dos antigos tempos. [Segundo Álvaro
V. Lemos A Lousã e o seu concelho, Carlos Reis utilizara na casa-atelier um
portal bastante elegante que pertencera à Casa da Rua da Fonte da primitiva família
Monteiros de Távora e Ferraz, além doutros materiais] |